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Existe um equívoco entre o herói e a princesa, que continua a repercutir em tantas histórias entre homens e mulhers, pelo menos até o ponto em que o homem pensa ser o herói e a mulher imagina ser a princesa, isto é, quase sempre. O herói sabe que para vencer o monstro era indispensável a ajuda da pricesa e a princesa sonha que o herói vem apenas para rapta-la. Foi um jogo de silêncio e de conveniências: tanto o herói quanto a princesa queriam dar a entender, o primeiro à outra e ela a si mesma, que a morte do monstro fosse apenas o pretexto para o rapto.
Contudo, para o herói, o monstro jamais é um só. Por isso não se deixa esquecer: todo monstro é um prelúdio ao monstro sucessivo. É mais fácil que a pricesa seja esquecida. Os monstros possuem uma identidade difusa, que se encontra e se repete em cada fragmento do monstro, ao passo que cada mulher é um perfil e , a todo momento, um novo perfil pode encobrir os outros. Assim, as histórias entre os heróis e as princesas tendem a terminar mal.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
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